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Como o “tomar a mãe” pelo olhar das Constelações Familiares pode contribuir para maior realização pessoal e profissional da mulher?


Ilustração: Henrique Vieira Filho

Claudirene S. Magalhães

Karinne P. Marquezini

Sandra Regina P. F. Rojo

Artigo apresentado como requisito para obtenção do título de Pós-graduadas em Constelação Sistêmica, pelo Programa de Pós-Graduação da Faculdade Porto das Monções em parceria com o do Instituto de Pesquisa e Estudos da Consciência (IPEC), sob a orientação da Profª Adriana Campidelli.


RESUMO

Essa pesquisa teve como objetivo responder a pergunta: Como o “tomar a mãe” pelo olhar das Constelações Familiares pode contribuir para maior realização pessoal e profissional da mulher? De modo que a análise levantou como a visão sistêmica explica a conexão entre mãe e filha e o movimento em direção ao sucesso e realização. Examinamos a expressão “tomar a mãe” e o que compreende esse movimento, tal qual sua importância no contexto da autorrealização da mulher. Exploramos o lugar da mãe no campo das constelações, as interferências e os conflitos nestes movimentos que impedem o tomar a mãe e consequentemente o êxito na vida. A metodologia utilizada foi Pesquisa Bibliográfica feita com base em material publicado em livros e artigos periódicos. Exploramos a relação entre mãe e filha, o desenvolver da mulher para o sucesso pessoal e profissional e como os emaranhamentos nas Ordens do Amor interferem nestas dinâmicas. A partir do referencial teórico apresentado concluímos que quando a mulher toma a mãe sua vida flui.

Palavras – chave: “tomar a mãe”, relação mãe e filha, constelação familiar, realização pessoal e profissional da mulher, o sucesso feminino, autorrealização feminina.

1.     INTRODUÇÃO

A jornada de realização pessoal e profissional de uma mulher é uma trama complexa de várias influências, experiências e relacionamentos. Entre os mais significativos, encontra-se a relação entre a mulher e sua mãe. (VALERI, 2023) Este estudo propõe uma exploração aprofundada da influência dessa relação materna na autorrealização de uma mulher, sob a luz das Constelações Familiares.

Desenvolvida pelo missionário e terapeuta alemão Bert Hellinger[1], as Constelações Familiares dão nome a uma abordagem terapêutica fenomenológica[2], uma ajuda para a vida, que possibilita desvendar e resolver dinâmicas familiares ocultas, padrões de repetição e limitações nas relações humanas que podem afetar diretamente um indivíduo, consequentemente sua disponibilidade para a vida e o sentimento de sucesso e a sensação de autorrealização. (HELLINGER, 2020)

Hellinger observa importantes pontos, definidos por ele como êxitos na vida, que devem ser considerados e que são fundamentais para a jornada de sucesso pessoal e profissional. Dentro deste contexto vamos explorar como esses êxitos influenciam a postura de um indivíduo diante da vida. (HELLINGER, 2020)

Muitas literaturas corroboram com a perspectiva de Hellinger sobre a importância de honrar o que recebemos de nossos pais. Joan Garriga Bacardí[3] em seu livro “Onde estão as moedas?” utiliza a metáfora das moedas para representar o legado e os dons que recebemos de nossos pais. Estas moedas simbolizam tudo aquilo que é transmitido a nós, seja material, emocional, espiritual ou simbólico. (BACARDÍ, 2011)

Garriga (2011) destaca que muitos de nós, seja por dor, ressentimento ou incompreensão, rejeitam ou desvalorizam algumas dessas moedas. Porém, ao fazer isso, se desconectam de uma parte essencial da história e herança familiar. Essa desconexão se manifesta através de insucessos, relacionamentos disfuncionais ou sentimentos de vazio em nossas vidas. Segundo ele, é essencial reconhecer e aceitar todas as moedas que nos foram dadas, mesmo aquelas que inicialmente podemos perceber como negativas ou indesejadas. (BACARDÍ, 2011)

“Quando o filho se torna adulto, diz aos pais: “Recebi muito e isso basta. Eu levo comigo em minha vida”. Então ele se sente satisfeito e rico. E acrescenta: “O resto eu mesmo faço”. Também essa é uma bela frase. Ela nos torna independentes. A seguir o filho diz ainda aos pais: “E agora eu os deixo em paz”. Então se solta deles.” (HELLINGER, 2020 pág. 55.)

Especialmente neste trabalho evidenciaremos como a mulher pode trilhar um caminho de modo a honrar seu legado, qualidades transgeracionais advindas de sua ancestralidade feminina e dos fatos que envolvem a vida destas mulheres e a observar e conectar-se de maneira saudável com a sua fonte de vida, sua mãe, mesmo que esta relação não tenha sido factualmente possível, ou tenha sido influenciada por conflitos e eventos traumáticos.

No campo das Constelações familiares exploraremos o conceito base para uma vida fluida e de sucesso, denominada por Hellinger como o ato de “tomar a mãe”, no que implica este movimento, como se dá de maneira prática tal ato, o impacto deste no processo de individuação[4] e autorrealização feminina. (HELLINGER, 2020)

Bert diz que ao seguirmos para a mãe seguimos para a vida, para as oportunidades e para o sucesso.

“Quando alguém se alegra com sua mãe, também se alegra com sua vida e seu trabalho. À medida em que alguém toma a sua mãe totalmente, com tudo aquilo que ela lhe presenteou tomando isso com amor, a sua vida e seu trabalho o presentearão, na mesma medida, com sucesso.” (HELLINGER, 2020, pág. 11)

Então se guardamos ressalvas ou se resistimos a nossa fonte de origem, nossa mãe, também guardamos ressalvas e resistimos de maneira inconsciente ao sucesso e à prosperidade. (HELLINGER, 2020)

Este trabalho tem como objetivo responder à seguinte pergunta de pesquisa: Como o “tomar a mãe” pelo olhar das Constelações Familiares pode contribuir para maior realização pessoal e profissional da mulher?. Desdobrando a compreensão de como as dinâmicas familiares, especificamente a relação mãe-filha podem influenciar a construção de identidade, a autoestima, e a capacidade relacional das mulheres, analisar como afetam a vida profissional e pessoal. Através de uma metodologia de pesquisa bibliográfica, procuramos evidências na literatura existente que possam lançar luz sobre esta questão.

Assim, a relevância deste trabalho é múltipla para profissionais da área de psicologia, terapia familiar, coaching, dentre outras. Este estudo fornece uma visão mais profunda sobre o potencial das Constelações Familiares como uma ferramenta de desenvolvimento pessoal e profissional.

Para as mulheres que buscam maior auto realização, ele pode oferecer uma nova perspectiva sobre a importância de sua conexão com a figura materna. E para a sociedade em geral, este estudo ajuda a reforçar o entendimento do papel das dinâmicas familiares no bem-estar e no sucesso individual.

2.     MÉTODO

Para a análise dos conceitos sobre “Como o “tomar a mãe” pelo olhar das Constelações Familiares pode contribuir para maior realização pessoal e profissional da mulher?” Foi realizada uma Pesquisa Bibliográfica feita com base em material publicado em livros e artigos periódicos. Foram explorados livros que compõem amplamente a obra das Constelações familiares e conteúdo em formato de workshop, no qual o critério de seleção foi a relação mãe e filha. Os demais livros e artigos periódicos no campo da psicologia foram selecionados de modo a convergir com o tema do presente artigo.

Constelações Familiares: Uma visão geral

A técnica das Constelações Familiares foi desenvolvida por Bert Hellinger na década de 80. É uma abordagem terapêutica sistêmica fenomenológica que tem como objetivo desvendar e solucionar padrões ocultos e repetitivos nas relações familiares, que influenciam sua capacidade de engajamento com a vida, seu sentimento de sucesso e a sensação de realização pessoal. (HELLINGER, 2020)

Ela parte do princípio de que os problemas individuais muitas vezes têm raízes em dinâmicas familiares que envolvem exclusão, desordem, desequilíbrio entre o dar e o receber. Cada indivíduo nasce em um sistema familiar que carrega um modo único de funcionamento com histórias, padrões, dinâmicas, crenças e características de cada grupo. (HELLINGER, 2020)

Ao falarmos sobre sistemas familiares Bert diz “A família é guiada, em um sentido mais amplo, por uma alma e uma consciência comum” (HELLINGER, 2020, pág. 111) a consciência coletiva ou consciência familiar, segundo Hellinger, refere-se à rede invisível de lealdades, obrigações e compensações que operam segundo sua observação fenomenológica, de forma a influenciar os indivíduos deste clã em seus pensamentos, comportamentos, padrões de vida e funcionamento. (HELLINGER, 2020)

A consciência familiar observa três ordens fundamentais para a manutenção e a conservação do grupo, garantindo o direito de pertencimento a todos sem distinção, a compensação para o equilíbrio do sistema no caso de exclusão no que se refere ao dar e receber e a precedência para aqueles que vieram antes. A partir da observação da interação desses fenômenos, Hellinger nomeou estas ordens fundamentais como Ordens do amor. (HELLINGER, 2002)

As Ordens do amor ou Leis Sistêmicas estruturam a ideia central das constelações familiares, estas ordens foram percebidas por Hellinger de maneira empírica em seu trabalho com dinâmicas familiares e emergem da consciência[5] sistêmica. As leis definidas por Hellinger são Pertencimento, Hierarquia, Compensação. Essas leis regem nossos relacionamentos de forma inconsciente ou parcialmente consciente e quando são transgredidas causam emaranhamentos e conflitos no sistema. (HELLINGER, 2002)

A Lei do Pertencimento ressalta uma necessidade humana: ser parte integrante e reconhecida em seu sistema de origem, ter um lugar. Desde o momento da concepção, estamos conectados ao sistema familiar e exigimos, inconscientemente e por amor o reconhecimento à posição que cada membro ocupa dentro dele. Dentro da estrutura familiar, cada membro é insubstituível e todos têm um lugar, independentemente de suas qualidades, falhas ou atributos, independentemente de estar vivo ou morto. Significa que, sem distinções, todos têm um lugar que lhe é próprio no sistema familiar. (HELLINGER, 2002)

A Lei da Hierarquia destaca a precedência dos que chegaram primeiro sobre os que vieram a seguir. Os pais, por exemplo, são priorizados em relação aos filhos. Quando essa ordem é mantida, com os pais valorizando sua posição e autoridade, os filhos se sentem mais seguros e livres. No entanto, quando essa liderança é negligenciada, ou de alguma forma assumida por quem vem depois pode gerar sentimento de insegurança e conflitos. (HELLINGER, 2002)

Quanto à Lei da Compensação, ela nos ensina que o mais importante que recebemos dos pais é a vida. Se não valorizamos esse dom da vida, nossos relacionamentos sociais e profissionais são comprometidos. Na dinâmica entre pais e filhos, é natural que os pais deem e os filhos recebam sem a necessidade de compensação direta aos pais, entretanto em outras relações existe a necessidade de um equilíbrio entre dar e tomar, onde a forma pode ser diferente, mas na mesma proporção. Um caminho equilibrado na vida dos filhos é passar adiante tudo o que receberam, bem como servir à vida. (HELLINGER, 2002)

Como uma fonte romana o transbordar da vida segue dos pais para os filhos, de modo que:

“Os pais dão a seus filhos o que antes tomaram de seus pais e o que, como casal, tomaram um do outro. Os filhos tomam, antes de tudo, seus pais como pais e secundariamente aquilo que os pais lhes dão por acréscimo. Em compensação, aquilo que tomam dos pais posteriormente transmitem a outros (…)” (HELLINGER, 2020, pág. 49).

Para que se possa transmitir com excelência para outros, seja nas relações sociais ou profissionais, se faz essencial honrar o que recebeu, para então entregar de forma grandiosa. Portanto, se a mulher busca o sucesso, precisa primeiramente dedicar-se a buscar a mãe, pois este é um movimento que começa no coração e transborda na vida. (HELLINGER, 2020)

Conexão natural com a mãe: A base do vínculo

Maurício Baldissin, médico antroposófico no livro “O bebê do amanhã” faz uma importante reflexão da antropologia espiritual de Rudolf Steiner[6]:

“A consciência do ser em formação paira no líquido amniótico e imprime nos processos de vida intrauterina aquilo que é organizado no cosmo, passando a existir dentro da mãe, como uma semente germinando na terra. Para Steiner, um dos criadores da medicina antroposófica, é o tempo da mágica e delicada formação do invólucro que abrigará o futuro ser humano em sua corporeidade física, vital, anímica e espiritual”. (VERNY & WEINTRAUB, 2014, posição 285)

O ser humano em formação está enraizado e nutrido no ambiente da mãe, assim como uma semente é nutrida pelo solo, há uma forte conexão entre a mãe e o desenvolvimento do feto, tanto física quanto espiritualmente. (VERNY & WEINTRAUB, 2014)

John Bowlby[7] (1989) aponta que a qualidade dessa conexão inicial é crucial, pois, um vínculo seguro influencia diretamente a capacidade da criança de formar relacionamentos saudáveis e desenvolver resiliência emocional no futuro. A mãe, portanto, contribui para a representação da imagem interna da criança, ela é a primeira influência significativa na construção da identidade e no processo de autoconhecimento da mulher. (DALBEM & DALBOSCO, 2005)

“Onde sentimos pela primeira vez as emoções nascentes do amor, da rejeição, da ansiedade e da alegria? Na primeira escola que frequentamos na vida – o útero da nossa mãe.” (VERNY & WEINTRAUB, 2014, posição 1168)

Toda criança tem um movimento natural e instintivo em direção à sua mãe, uma força que a impulsiona a se conectar, pertencer e ser amada. Este movimento é a primeira e mais fundamental expressão do desejo humano de pertencimento e conexão. (VALERI, 2023)

A desconexão com a mãe: O movimento interrompido na infância.

Um relevante estudo feito com primatas pelos cientistas Harry e Margaret Harlow (1964), elucida o impacto da perda do amor materno:

“Os Harlows e seus alunos separaram filhotes de macacos das mães logo depois que nasceram. (…) Os filhotes ficaram inconsoláveis, desanimados, magricelas. Mal conseguiam comer ou se mexer. Ficavam agachados num canto da jaula ou lutavam pela vida apelando para as “mães substitutas” feitas de pano macio, ou de tela, na forma de uma fêmea adulta. A maioria dos macacos que sobreviveram à privação da mãe no começo da vida foram incapazes de se acasalar quando adultos. Os que conseguiram – ou as fêmeas que foram inseminadas artificialmente e que engravidaram – foram incapazes de criar a prole. Na verdade, atacavam os filhotes violentamente.” (VERNY & WEINTRAUB, 2014, posição 2219)

Essas descobertas foram sintetizadas por John Bowlby nas décadas de 1950 e 1960 e contribuíram para sua famosa e relevante Teoria do Apego[8]. Com base na pesquisa de animais e outros estudos com jovens, Bowlby (1969) “Afirmou que o apego intenso entre mãe e filho era um requisito da plenitude psicológica. Sem ela, sugere ele, há distúrbios do cérebro e da psique”. (VERNY & WEINTRAUB, 2014, posição 2239)

Esse movimento de ruptura entre a criança e a mãe, Hellinger denomina de movimento interrompido. (HELLINGER, 2022)

São diversas razões pelas quais esse movimento pode ser interrompido. Algumas das causas, segundo Hellinger, inclui traumas familiares, “a criança é separada precocemente da mãe, quando, por exemplo, precisa ir ao hospital e a mãe não pôde visitá-la (…) quando, por exemplo, uma criança nasce prematura e precisa ficar na incubadora” (HELLINGER 2020, pág 219), esse trauma fica registrado no inconsciente da criança como abandono.

Uma criança fica predisposta a desenvolver resistências como uma forma de proteção emocional, se sua mãe está emocionalmente indisponível devido a seu próprio trauma ou sofrimento, uma criança intuitivamente se afasta para proteger seu próprio coração. (HELLINGER, 2020)

“A criança sente a separação como uma grande dor. Ela se modifica após este evento, pois a dor se transforma em raiva ou desespero. Quando a mãe retorna, a criança afasta a mãe de si, pois se lembra da dor que sentiu. Assim a mãe talvez acredite ter falhas de algum modo e igualmente se retrai. Desta forma os dois permanecem separados.” (HELLINGER, 2020 pág. 219.)

Se por alguma razão, a mãe momentaneamente concedeu os cuidados da criança a um ente da família, ou vive um luto que lhe ocupa mais do que a criança viva em alguns casos, uma criança é capaz inconscientemente de assumir responsabilidades ou fardos que não lhe pertencem e que a impedem de se conectar plenamente com sua mãe. (HELLINGER, 2020)

Biologicamente, o que ocorre a nível cerebral, é que neurotransmissores inibitórios superam o nível de neurotransmissores excitantes que limitam a resposta emocional.

“A criança desenvolve a tendência a se recolher, caracterizada por desaceleração dos batimentos cardíacos, pouca atividade e sentimento de impotência e desamparo. Essa predisposição pode se tornar permanente se o cérebro for privado consistentemente dos hormônios socializadores e de outros insumos que permitem a expansão do sistema nervoso parassimpático, associado à intimidade. Quando adultos esses indivíduos terão uma capacidade limitada de expressar afetos intensos, sejam eles negativos ou positivos, e esses afetos tenderão a ser exageradamente controlados”. (VERNY & WEINTRAUB, 2014, posição 2437)

O impacto a longo prazo, na vida adulta, tem potencial para se tornar um forte padrão de insegurança, o que influenciará na qualidade das relações sociais e profissionais. (VERNY & WEINTRAUB, 2014) Entretanto, ao entender a importância do movimento natural para a mãe e ao considerar as resistências que podem surgir, é possível trabalhar na direção da reconciliação, mudança da imagem interna materna e da cura, restaurando o equilíbrio e a harmonia tanto na relação mãe-filha, no sistema familiar, quanto na relação mulher-sucesso. (VALERI, 2023)

A imagem interna ferida da mãe.

A transição da infância para a adolescência e, posteriormente, para a vida adulta, é marcada por buscas de independência e autoafirmação. Em muitos casos, esse processo se manifesta como resistência à figura materna. A mãe, que antes era vista como fonte amor e cuidado, passa a ser, em determinados momentos, percebida como opressora ou responsável pelas limitações percebidas pela filha. (MURDOCK, 2022)

Segundo Maureen Murdock[9], a filha em sua busca por autonomia, pode se rebelar contra valores e expectativas que acredita serem impostos por sua mãe, levando ao distanciamento. Isso é ampliado quando o modelo feminino transmitido pela mãe é percebido como submisso ou desconectado das aspirações profissionais e pessoais da filha. (MURDOCK, 2022)

A busca frenética por conquistas profissionais e reconhecimento pode ser, na realidade, uma tentativa de encontrar o amor e aceitação que, em algum nível, sente ter sido negado ou condicionado pela mãe. Mas, frequentemente, mesmo quando alcançando o “sucesso”, a sensação de vazio permanece, pois a raiz do problema não está no mundo exterior, mas na relação não resolvida com a mãe e, consequentemente, com o feminino. (VALERI, 2023)

“Se a mulher continua ressentida com a mãe por não ter recebido o cuidado materno, ela permanece ligada a essa mulher, uma filha numa eterna espera. Ela se recusa a crescer, embora para o mundo exterior pareça agir como uma adulta madura. Lá no fundo, ela se sente sem valor e incompleta.” (MURDOCK, 2022, pág. 173)

Se a criança interior desta mulher, ou seja, a parte de nós que carrega as experiências e sentimentos da infância, ainda guarda traumas ou ressentimentos em relação à mãe, é possível que a mulher adulta busque constantemente validação e sucesso no mundo exterior, na tentativa de suprir um vazio interno. Muitas mulheres, carregando feridas e ressentimentos dessa relação, buscam no sucesso externo uma validação interna. (VALERI, 2023)

“Muitos que recusam a tomar completamente os pais procuram compensar essa carência, (…) talvez busquem a realização pessoal ou a iluminação espiritual. A busca dessas metas não passa, neste caso, de uma busca secreta (…) da mãe não tomada.” (HELLINGER, 2020, pág. 55).

Para muitos, a ideia de honrar uma mãe ausente ou uma mãe com postura egocêntrica parece contraintuitiva e até mesmo dolorosa.

“Algumas pessoas julgam que, se tomarem os pais dessa maneira, poderá infiltrar-se nelas algo de mau que receiam, por exemplo, um traço dos pais, uma deficiência ou uma culpa. Então também se fecham ao lado bom dos pais e não tomam a vida em sua totalidade.” (HELLINGER, 2020 pág. 55.)

Hellinger argumenta que é justamente nesses casos que a reconciliação tem o maior potencial de cura. Ao honrar a mãe, independentemente de sua presença ou ausência, uma pessoa libera ressentimentos, despede-se das expectativas delineadas pelos ideais de mãe e mulher ditados pela cultura, cria espaço para a compreensão e, mais importante, se reconecta com a fonte primordial da vida. (HELLINGER, 2020)

“Se tomamos de nossos pais dessa maneira, via de regra, é o bastante. Existem exceções que todos conhecemos. Pode não ser sempre o que desejamos ou o quanto desejamos, mas, via de regra, é o bastante.” (HELLINGER, 2020 pág. 55.)

Reverência: A retomada de conexão

Cada ser humano inicia sua jornada através de sua mãe, independentemente das condições ou da qualidade da relação, é através da mãe que a vida se manifesta. Assim, honrar a mãe é, em sua essência, honrar a própria vida e reconhecer o primeiro e mais fundamental vínculo que temos. (HELLINGER, 2005)

Para Hellinger, curvar-se diante da mãe é um ato de entrega, concordar com o destino e com todas as consequências dele, pois na entrega há grandeza, um gesto profundo de reconhecimento e reverência pela vida. Mesmo nas situações em que a mãe esteve ausente ou onde o relacionamento foi tumultuado ou quando houve grande sofrimento por parte dela a reverência é um ato simbólico que confirma que a vida da filha foi possível apenas através desse portal materno. (HELLINGER, 2005)

“A reverência principal é sempre perante a mãe. (…). Honrar a mãe, isso é o mais difícil e o maior. Mas é claro que uma criança precisa se curvar também perante seu pai, mas a reverência principal, a reverência necessária é perante a própria mãe.” (HELLINGER, 2005 pág. 143.)

Contudo, só é possível se libertar para fazer diferente se conseguimos compreender esta postura interna pacífica e de reconhecimento, a verdadeira realização só é possível ser encontrada ao se reconciliar com a figura materna, redescobrindo e abraçando o poder e a profundidade do feminino que é representado pela mãe, até onde ela pôde vivenciar e ir além.

Para Hellinger o conceito de sucesso não está apenas relacionado a conquistas materiais ou status social, o sucesso, em sua visão mais profunda, está intrinsecamente ligado à nossa conexão com a mãe e ao equilíbrio dentro do nosso sistema familiar. Ao honrar e aceitar nossa mãe, e o lugar que ela ocupa em nossas vidas, abrimos caminho para uma compreensão mais profunda do que significa ser bem-sucedido e alcançar sucessos autênticos em nossas vidas. Hellinger lança luz sobre esse início indagando, “Onde começa o nosso sucesso? Começa com a nossa mãe. Como o sucesso chega até nós? Como pode vir? Quando a nossa mãe pode vir a nós e quando nós a honramos como tal.” (HELLINGER, 2020, pág.12)

Bert disse “Todo sucesso tem a face da mãe.” (HELLINGER, 2020, pág. 14), para seguirmos em direção ao sucesso devemos seguir primeiro em direção à mãe, através dos êxitos na vida ele delineia um caminho para o ato de “tomar a mãe”.

1º êxito – O nascimento

O nascimento é o primeiro êxito de nossa vida, pois viemos ao mundo sem intervenções externas, com nossas próprias forças, da melhor maneira possível e a que teve muitas consequências. O sucesso do nascimento não se refere apenas ao ato físico de nascer, vai além abrangendo a aceitação e o reconhecimento pleno das circunstâncias e relações que envolvem o momento do nosso nascimento. (HELLINGER, 2020)

“A vida chega até nós por meio da mãe, pois o ventre da mãe é a primeira moradia da filha, portanto ter uma relação saudável com a mãe garante que a filha tenha uma relação saudável com a vida e vice e versa.” (PEDROSA, 2023, pág. 24)

Esta compreensão abrangente do nascimento, conforme explorado por Hellinger (2020), nos leva a reconhecer que o sucesso no nascimento transcende o ato físico, englobando a aceitação e o reconhecimento pleno das circunstâncias e relações que cercam o nascimento. Isso inclui um olhar profundo não apenas da mãe biológica, mas também para circunstâncias que rodeiam a impossibilidade de um contato direto com ela, como em casos de óbito, adoção ou abandono.

Segundo Pedrosa (2023), a conexão que temos com nossas mães pode nos guiar para sentimentos positivos ou negativos dentro de nós. Procurar amor, conexão, segurança ou realização exterior é inútil se não estivermos em paz com o que guardamos internamente, o amor que possibilitou a vida. “Em nossa mãe nos originamos. Por meio dela e com ela, por meio de um movimento profundo da alma, dizemos sim à vida e, também, à vida da nossa origem.” (PEDROSA, 2023 pág. 23)

O reconhecimento e a aceitação de nossa origem, conforme apontado por Pedrosa (2023), são fundamentais para a formação da nossa relação com a vida. Isso significa que, ao dizer “sim” ao primeiro ato, o nascimento, nos colocamos novamente em sintonia com nossos antepassados e com a força que emana deles.

“Em uma Constelação familiar, quando se coloca atrás de alguém seus antepassados paternos e maternos, fazendo-o respirar profundamente, pode-se ver que se transfere muita força a ele e curiosamente também calor. Então, muitos ficam bem quentes. Este é um movimento benéfico dos mortos para os vivos. Muitas soluções só são possíveis quando não olhamos somente para a família direta, mas quando os indivíduos recebem a força para a solução através da benção dos antepassados.” (HELLINGER, 2005, pág. 237)

Mesmo em situações em que o contato direto com a mãe biológica não foi possível ou foi interrompido, o ato de honrar essa origem é crucial, bem como a gratidão pelas oportunidades de vida proporcionadas, independentemente de como se desenrolaram. Esse movimento de reverência cria uma espécie de redenção, uma postura de assentimento para a vida, que nos coloca em sintonia com a força ancestral, com o sentimento de pertencimento, de ordem que permeia todas as outras áreas da vida. (HELLINGER, 2020) Algumas questões disparadoras podem contribuir para uma reflexão mais profunda deste 1º êxito, “Como eu olho para o meu momento de nascimento?” e “Eu honro profundamente esse movimento?”.

Nesse sentido quando o 1º êxito é integrado é possível vislumbrar um caminho de liberação, e especialmente nos casos em que há impossibilidade de contato direto com a mãe seja pelo óbito, por adoção ou abandono o fluxo curativo se abre e o 4º êxito “Se despedir” cunhado por Luíza Valeri[10] (2023) pode ser experienciado.

2º êxito – O encontro

Depois do nascimento, o segundo êxito é o movimento em direção à mãe. Ela nos coloca no colo e nos nutre com seu leite, neste momento tomamos a mãe como fonte de vida e tudo aquilo que flui dela para nós. (HELLINGER, 2020) “No colo, eu pertenço, tomo e sigo adiante.” (PEDROSA, 2023, p.29)

Biologicamente o vínculo se fortalece, pois quando o bebê é amamentado recebe ocitocina pelo leite da mãe “quando a quantidade de ocitocina é exatamente a necessária, os bebês estão muito bem equipados para a proximidade física, o toque e a sociabilidade”. (VERNY & WEINTRAUB, 2014, posição 2261)

“Ao receber o primeiro colo da mãe, o amor se expande e a filha consegue tomar, com segurança, a força necessária para a nutrição de seu corpo e de sua alma. Nesse abraço, a filha se conecta com o sim para SER e descansa ao se entregar com o que chegou da mãe(…)”. (PEDROSA, 2023, p.29)

Muitas mulheres experimentaram, em suas vidas, um momento de separação precoce de suas mães, seja por luto, problemas de saúde ou indisponibilidade emocional. Essas experiências podem desencadear um movimento interrompido em direção à mãe, levando a uma profunda dor de separação e desamparo durante um período de extrema fragilidade. (HELLINGER, 2020)

A dor resultante dessa angústia de não encontrar a mãe pode levar a uma decisão inconsciente de renunciar à figura materna, criando um distanciamento emocional. Mesmo que a criança se reúna fisicamente com sua mãe mais tarde, permanece um vazio emocional, uma barreira que a impede de receber plenamente o amor materno. Esta ruptura gera mudanças significativas no comportamento futuro da mulher. (HELLINGER, 2020)

A mulher que vivenciou essa interrupção no vínculo com a mãe tende a adotar uma postura de hesitação e espera. Em um relacionamento amoroso, por exemplo, seu corpo e psique podem se lembrar do trauma da separação, fazendo com que ela hesite em se mover em direção ao parceiro, esperando que este se aproxime. No entanto, mesmo com a aproximação do outro, pode haver dificuldades em estabelecer uma conexão saudável. (HELLINGER, 2020)

Este padrão de hesitação e espera não se limita apenas aos relacionamentos amorosos, mas se estende também ao âmbito profissional, impactando a realização de objetivos e aspirações. A mulher pode se encontrar esperando passivamente que as oportunidades venham até ela, em vez de ativamente buscá-las. (HELLINGER 2020)

Estes traumas podem ser resolvidos quando voltamos a essa situação internamente e olhamos para nossa mãe naquele momento quando criança e apesar da dor, decepção ou frustração, vamos em direção à ela, dando pequenos passos com amor até finalmente cairmos em seus braços seguros, e definitivamente mudarmos a imagem interna de ruptura para uma imagem curativa e integradora, possibilitando uma nova postura, um novo padrão para seguir à diante. (HELLINGER, 2020) Outra valiosa pergunta que contribui para a reflexão deste 2º êxito é “Como eu recebo essa nutrição, esse acolhimento?”.

3º êxito – O “tomar a mãe”

O próximo acontecimento decisivo ao sucesso é o movimento interno em direção à mãe, tal ato só pode ser possível se houver apaziguamento, concordância com a realidade, destino, escolhas, comportamentos da nossa mãe, compreendendo que, o que ela vive é o certo para ela e com esse assentimento, essa postura interna pacífica e sem resistências podemos nos “despedir” das expectativas, das intenções e do julgamento sobre a forma como as coisas foram conduzidas e se libera para fazer diferente. (VALERI, 2023)

Esse tomar é ativo, assentindo as suas imperfeições e reconhecendo os desafios que ela própria enfrentou, a mulher pode começar a se reconciliar com seu próprio feminino. Isso não apenas traz uma sensação de completude, como também permite uma relação mais autêntica e enriquecedora com o mundo à sua volta. (VALERI, 2023)

Uma filha que se reconcilia com sua mãe, que compreende sua história e a regula como uma fonte de força e sabedoria, tem uma base sólida para buscar e alcançar sucesso em todas as áreas de sua vida. Essa conexão saudável com a figura materna interior proporciona à mulher autoestima, confiança e uma compreensão mais profunda de si mesma e de seu lugar no mundo. (VALERI, 2023) Outras questões disparadoras que favorecem a elaboração deste 3º êxito é “Alguma parte de mim ainda espera algo da minha mãe?” e “Eu realmente assinto à história e o destino da minha mãe, ou ainda guardo alguma expectativa de que fosse e/ou seja diferente?”.

4º êxito – “Se despedir”

É nesse ponto que o amor adulto, o amor que cura, suporta a despedida. A despedida das histórias, das expectativas, exigências e da própria mãe, dizendo sim ao destino dela, com muito respeito por tudo o que ela passou, por todos os seus desafios. Sustentando a culpa por seguir adiante e o não pertencimento, por não mais repetir as histórias e padrões de limitação que a mãe possivelmente viveu. (VALERI, 2023)

Despedir-se para fazer diferente, seguir para a felicidade, para a abundância e a prosperidade mesmo que a própria mãe não possa fazê-lo. Levá-la em seu coração para estar com ela em todos os momentos de sucesso, tendo a certeza de que mãe estará internamente com a filha, mulher adulta, em cada passo, em cada conquista. Porque esta mãe, a mãe certa para esta filha a preparou de uma maneira ou de outra para o sucesso, para a liberdade de ser, para o mais. Metaforicamente significa pular do barco dos padrões familiares, se lançar no oceano azul de possibilidades. Entretanto, este ato final só é possível se conseguir honrar tudo o que ocorreu exatamente como ocorreu, sem nenhum acréscimo, sem nenhuma exclusão. (VALERI, 2023) Mais uma boa questão para refletir é “Como eu vejo esse movimento, ele me traz leveza ou peso?”.

É importante ressaltar que, ao seguir em frente, a mulher certamente poderá sentir uma sensação de reprovação, culpa. No entanto, o amor adulto compreende que não crescemos sem transgressão dos limites, mas podemos fazer isso honrando a quem veio antes, honrando a história da nossa mãe como um alicerce para uma construção pessoal. (VALERI,

2023) (CAMPIDELLI, 2023)

“Querida mamãe, se você já pagou um preço tão alto por minha vida, que isso não tenha sido em vão: farei dela algo de bom, em sua memória e em sua homenagem.” (HELLINGER, 2002, pág. 201)

Sentir a grandeza da mãe dentro de si mesma, deixar o passado e todos os pesos e dar um passo para frente, leve, olhando para frente e para a vida. “Mãe, vou te honrar nas minhas boas escolhas”. (VALERI, 2023)

CONCLUSÃO

Este trabalho investigou a influência do conceito de “tomar a mãe”, no âmbito das Constelações Familiares, sobre a realização pessoal e profissional da mulher. A partir da apresentação dos conceitos concluímos que o assentimento sobre tudo o que se recebe da mãe é decisivo para o sucesso e bem-estar feminino, influenciando diretamente a autoestima, autoconfiança e a capacidade de superar desafios pessoais e profissionais. Durante a pesquisa, foi notada uma carência significativa de bibliografia especializada que aborda especificamente a relação mãe-filha e o desenvolvimento pessoal e profissional da mulher. Este fato ressalta a originalidade do presente estudo e a necessidade de maior investigação nesta área. A partir dos dados analisados, evidencia-se que a reconciliação com a figura materna, mesmo diante de imperfeições e desafios, é um elemento chave para a plenitude na vida das mulheres. Por outro lado, a ruptura ou desconexão com a mãe pode acarretar sérios obstáculos ao crescimento e realização. Em conclusão, o presente trabalho reafirma a importância de “tomar a mãe” para a realização pessoal e profissional da mulher, abrindo caminho para novos estudos e práticas terapêuticas focadas nas relações familiares, em especial na relação mãe e filha.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

HELLINGER,  Bert, As Ordens do Amor, um guia para o trabalho com Constelações

Familiares. Tradução: Newton de Araújo Queiroz.1ª.ed. São Paulo: Cultrix, 2002.

BACARDÍ, Joan Garriga, onde estão as Moedas, as chaves do vínculo entre pais e filhos. Tradução: Adriana Campidelli. 2ª. ed. Campinas: Saberes, 2011.

HELLINGER, Bert, meu trabalho. Minha vida, A autobiografia do criador da Constelação Familiar com Hanne-Lore Heilmann,Tradução Karina Jannini. 1ª. ed. São Paulo: Cultrix, 2020.

HELLINGER, Bert, Ordens do sucesso, Êxito na vida êxito na profissão. Tradução: Jinno Spelter, Tsuyuko. 6ª.ed. Atman, 2020

HELLINGER, Bert, O amor do espírito, Na Hellinger Sciencia.

Tradução: Jinno Spelter, Tsuyuko e Wilma Costa Gonçalves Oliveira. 6ª.ed. Atman, 2020

MURDOCK, Maureen. A Jornada da Heroína: A busca da mulher para se reconectar com o feminino; tradução Sandra Trabucco. Rio de Janeiro: 1ª edição, Sextante 2022.

VALERI, Luiza, 2023, O sucesso é a cara da mãe: Workshop               online.

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HELLINGER, Bert, A fonte não precisa perguntar pelo caminho.

Tradução: Eloisa Giancoli Tironi Tsuyuko Jinno Spelter. 6ª.ed. Atman, 2005

PEDROSA, Lari, Uma nova mulher: Curando a conexão mãe e filha; São Paulo, 1ª ed,

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HELLINGER, Bert, Amor à segunda vista.

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SCHNEIDER, Jakob Robert, A prática das constelações familiares: Bases e procedimentos. Tradução: Newton A. Queiroz. 1ª ed. Atman, 2007.

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[1] Anton “Suitbert” Hellinger (Leimen, 16 de Dezembro de 1925 – Bischofswiesen, 19 de Setembro de 2019), conhecido simplesmente como Bert Hellinger, aos 17 anos se alistou no exército e combateu ao lado dos nazistas no front, sendo preso na Bélgica. Aos 20 anos, com o fim da guerra, tornou-se padre. Formou-se no curso de teologia e filosofia na Universidade de Würzburgo em 1951. Foi enviado como missionário católico para a África do Sul, onde atuou como diretor de várias escolas, como o Francis College, em Marianhill. Em 1954, obteve o título de Bacharel de Artes pela Universidade da África do Sul e, um ano depois, graduou-se em educação universitária. No final dos anos 1960, abandonou o clero e voltou à Alemanha, onde passou a estudar Gestalt-terapia. Mudou-se para Viena para estudar psicanálise. Em 1973 se mudou para a Califórnia para estudar Terapia Primal com Arthur Janov. Lá, interessou-se pela Análise Transacional.

[2] O método fenomenológico pode ser muito resumidamente apresentado como de suspensão de todos os pressupostos – sobretudo da crença numa realidade objetiva e numa consciência que com ela se relacionaria – para que os fenômenos apareçam na sua constituição. Por ‘fenômeno’ a fenomenologia se refere àquilo que aparece na correlação intencional: realidade experienciada, percebida por alguém. Trata-se, portanto, de um modo de proceder (método), que cuida para não recorrer a teorias prévias sobre aquilo que se quer conhecer. (Husserl, 2008; Dartigues, 1992; Bello, 2006; Goto, 2008).

[3] Joan Garriga Bacardí nasceu em Bellpuig (Lleida) em 1957. Estudou Direito durante três anos e formou-se em Psicologia pela Universidade Central de Barcelona. Interessado em psicoterapia humanista, formou-se e especializou-se em Gestalt Terapia, PNL, abordagem ericksoniana e métodos cênicos e corporais.

[4] Na psicologia junguiana, também chamada de psicologia analítica, expressa o processo em que o “eu” individual se desenvolve a partir de um inconsciente indiferenciado. É um desenvolvimento do processo psíquico durante o qual elementos inatos da personalidade, os componentes da imatura psique e as experiências da vida da pessoa se integram ao longo do tempo em um todo, onde funcione bem: centralizar as funções a partir do ego em direção à autorrealização do si-mesmo.

[5] De forma bem abrangente, Bert Hellinger generalizou seus insights no contexto das constelações familiares em sua caracterização da “consciência”. Ela é entendida como um órgão da psique que vela pelo equilíbrio das relações. Por mais que sejamos impelidos por nosso código genético, cuja única função é aparentemente manter-se e ser transmitido, somos sempre vinculados a relações num campo social onde nos comportamos. A consciência é descrita, de modo geral, como a capacidade de avaliar moralmente o próprio comportamento. Pela própria origem da palavra, ela significa um “saber comum”, um “saber compartilhado”. (SCHNEIDER, 2007)

[6] Rudolf Steiner (Kraljevec, fronteira austro-húngara, 27 de fevereiro de 1861 — Dornach, 30 de março de 1925) foi um filósofo, educador, artista e esoterista. Foi fundador da antroposofia, da pedagogia Waldorf, da agricultura biodinâmica, da medicina antroposófica e da euritimia, esta última criada com a colaboração de sua esposa, Marie Steiner-von Sivers. Seus interesses eram variados: além do ocultismo, se interessou por agricultura, arquitetura, arte, drama, literatura, matemática, medicina, filosofia, ciência e religião.

[7] Edward John Mostyn Bowlby (Londres, 26 de fevereiro de 1907 — Ilha de Skye, 2 de setembro de 1990) foi um psicólogo, psiquiatra e psicanalista britânico, notável por seu interesse no desenvolvimento infantil e por seu trabalho pioneiro na teoria do apego.

[8] Teoria do apego (português brasileiro) ou teoria da vinculação (português europeu) é a teoria que descreve certos aspectos a curto e longo-termo de relacionamentos entre humanos e entre outros primatas. Seu princípio mais importante declara que um recém-nascido precisa desenvolver um relacionamento com, pelo menos, um cuidador primário para que seu desenvolvimento social e emocional ocorra normalmente. A teoria do apego é um estudo interdisciplinar que abrange os campos das teorias psicológica, evolutiva e etológica. Imediatamente após a Segunda Guerra Mundial, as crianças órfãs e sem lar apresentaram muitas dificuldades, e o psiquiatra e psicanalista John Bowlby foi convidado pela Organização das Nações Unidas (ONU) a escrever um panfleto sobre o assunto. Posteriormente, ele formulou a teoria do apego.

[9] Maureen Murdock, Ph.D., nascida em 1945 (79 anos), Nova Iorque, EUA, psicóloga e psicoterapeuta de orientação Jungiana, autora, educadora e fotógrafa. Ela foi presidente e professora principal do Programa de Aconselhamento em Psicologia do Pacifica Graduate Institute em Santa Bárbara, EUA e professora adjunta do Departamento de Psicologia Profunda da Sonoma State University. Autora do livro A Jornada da Heroína, alusão ao paradigma narrativo da Jornada do Herói de Joseph Campbell, Murdock descreve neste livro a busca mítica da mulher contemporânea por preservar os valores femininos e se realizar pessoal e profissionalmente numa sociedade construída por e para os homens.

[10] Luiza Valeri é Advogada, Consteladora Sistêmica, Mediadora de conflitos e treinadora comportamental. Instrutora do workshop “O sucesso é a cara da mãe”, o qual contribuiu para valiosas reflexões do presente artigo.

Henrique Vieira Filho Administrator

Henrique Vieira Filho é artista visual, agente cultural (SNIIC: AG-207516), produtor cultural no Ponto de Cultura “Sociedade Das Artes” (SNIIC: SP-21915), diretor de arte, produtor audiovisual (ANCINE: 49361), escritor, jornalista (MTB 080467/SP), educador físico (CREF 040237-P/SP) e terapeuta holístico (CRT 21001).

http://lattes.cnpq.br/2146716426132854

https://orcid.org/0000-0002-6719-2559

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Sobre o Autor

Henrique Vieira Filho

Henrique Vieira Filho é artista plástico, escritor, jornalista e terapeuta holístico. Nas artes, é autodidata e seu estilo poderia ser classificado como surrealismo figurativo. Por mais de 25 anos, esteve à frente da organização da <strong>Terapia Holística</strong> no Brasil, sendo presença constante nos meios de comunicação. Elaborou as normas técnicas e éticas da profissão, além de ser autor de dezenas de livros e centenas de artigos, que são adotados como referência em vários países.
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